Desta vez, sabe-se lá porquê, escrevo sobre uma lista dos maiores satélites do Sistema Solar, do nosso Sistema Solar, não de qualquer outro que paire por aí em ponto perdido do Universo. E porquê sobre os maiores satélites e não sobre o maior planeta ou o maior vulcão? Também não sei. Para os leitores mais apressados, coloquei no fim deste texto um quadro onde se apresentam os dez, numa classificação decrescente.
O maior deles todos é Ganimedes, um dos satélites Galileanos que orbita Júpiter, que é também o maior planeta do Sistema Solar. Este planeta é orbitado por dezenas de luas, mas quatro delas, as maiores, dão pelo nome de “Satélites Galileanos” porque foram descobertos por Galileu, em 1610. Ora, dizia eu ou, melhor dizendo, escrevia eu, que Ganimedes é o maior porque mede cinco mil, duzentos e sessenta e oito quilómetros de diâmetro. Olhai, portanto, para a nossa Lua e acrescentai-lhe uns mil e oitocentos quilómetros.
Em seguida, aparece Titã, o maior de Saturno que, curiosamente, é também o segundo maior planeta do Sistema Solar. Titã é ligeiramente mais pequeno do que Ganimedes. Tem menos cento e poucos quilómetros de diâmetro.
Em terceiro lugar, surge outro dos Galileanos. Desta vez é Calisto que aí vem. Ele mede quatro mil, oitocentos e vinte quilómetros de um lado ao outro. Estes Galileanos são verdadeiros gigantes do mundo dos satélites. Observando o seu tamanho, vemos que Mercúrio, o planetazito que orbita as proximidades do Sol, é aproximadamente do mesmo tamanho de Calisto. E mesmo Marte não é assim tão maior que Ganimedes: junte-se uns mil e quinhentos quilómetros ao diâmetro desse satélite e conseguimos o de Marte.
Io é o seguinte da lista e mais outro dos Galileanos. Para este, calha-lhe um diâmetro de três mil, seiscentos e quarenta e dois quilómetros. Io é facilmente identificável não só pela sua cor avermelhada, como também pela sua colecção de vulcões activos.
Segue-se a vez da Lua. Está no quinto lugar, com os seus três mil, quatrocentos e setenta e quatro quilómetro de diâmetro. Quer isso dizer que, quando unimos uma das suas margens à outra, através de uma linha imaginária que atravessa este corpo do nosso céu, passaram-se todos esses quilómetros.
Europa, mais um dos Galileanos, é o cavalheiro que se segue. Ele transporta pouco mais de três mil quilómetros agarrados ao seu diâmetro e veja-se que o seu movimento de rotação faz transportar todos esses quilómetros em torno do seu núcleo. Não nos esqueçamos que os satélites têm, também eles, um movimento de rotação que os faz girar em torno de si próprios.
A título de curiosidade, note-se que os dez maiores satélites do Sistema Solar são pertença de cinco planetas: Júpiter (que inclui na lista os quatro Galileanos), Saturno e Urano (com dois cada um) e a Terra e Neptuno (com um para cada). Há outros planetas com satélites, como Marte, por exemplo, mas porque são eles ridiculamente pequenos não surgem nesta minha abordagem do tema.
Ainda a propósito dos Galileanos, se tiver uns binóculos aí por casa, pegue neles e vire-os na direcção de Júpiter e irá observar pequenos pontos luminosos nas suas proximidades. Esses pontos são os satélites que Galileu descobriu. Às vezes calha ver quatro pontos, outras vezes menos devido ao movimento de translação de cada um em torno do planeta que lhes serve de centro.
O de Neptuno é Tritão, com os seus cerca de dois mil e setecentos quilómetros de diâmetro. À semelhança de Saturno, Neptuno é um dos quatro planetas que ostentam anéis: Júpiter, Urano, Neptuno e, claro está, Saturno.
Titânia, o maior de Urano, aparece agora. Mede quase mil e oitocentos quilómetros de uma ponta a outra. Urano junta-se a Júpiter, Saturno e Neptuno para formar o grupo dos planetas gasosos, sendo que os planetas telúricos são Mercúrio, Vénus, Terra e Marte. Plutão é Plutão.
Reia é o segundo maior do segundo maior planeta. Este é ligeiramente mais pequeno que Titânia. O segundo maior planeta é, como se sabe, Saturno, que se situa para lá de Júpiter e, igualmente, para lá da cintura de asteróides que divide o Sistema Solar interior, do Sistema Solar exterior. Temos então, entre o Sol e a cintura, Mercúrio, Vénus, Terra e Marte e, depois da cintura, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Plutão é Plutão. Foi como que despromovido do seu cargo de planeta.
Também ligeiramente mais pequeno que Titânia e ainda mais ligeiramente que Reia, aparece o último da lista, Oberon, que orbita Urano, lá para os confins do Sistema Solar.